Silvia Rêgo: Embaixadora Planetária, Terapeuta Holística, Ufóloga, Astrônoma Técnica e Consultora Espiritual.
Nossa verdadeira existência é como o espírito, e só abandonamos o falso sentido de vida material na medida em que percebemos isto.
Vemos então que a vida física, do homem, do animal e da planta não passa de um sentido enganoso da existência; aquilo que geralmente nos preocupa com as chamadas necessidades da vida material é, de fato, desnecessário; que embora todas as belezas que contemplamos apontem para uma criação de Deus, elas não são a criação espiritual e perfeita de Deus; que as aparências de doença, de envelhecimento e morte não fazem absolutamente parte da vida real.
Quando atingimos este estado de consciência, começamos a ter vislumbres da eterna existência espiritual, intocada pelas condições materiais ou pensamentos mortais. Quando damos as costas para o mundo sensorial, que podemos ver, ouvir, cheirar, saborear e apalpar, temos visões inspiradas que nos mostram a terra como criação de Deus.
No trabalho de cura, temos de dar as costas para o mundo físico, assim como o vemos. Temos de lembrar que não fomos chamados para curá-lo, para mudá-lo, para corrigi-lo ou salvá-lo; temos de perceber, antes de mais nada, que ele existe só como uma ilusão, como um sentido da vida totalmente falso. E deste ponto elevado de consciência, nós olhamos, através do sentido espiritual, para a "casa que não foi construída com as mãos, eterna no céu".
Temos o hábito de considerar certas pessoas como bons provedores, bons merecedores, bons vendedores ou curadores. Entendamos isso corretamente. Nunca é uma pessoa, e sim um estado de consciência, que cura, que regenera, que pinta, escreve ou compõe. O estado de consciência se manifesta a nós como pessoa por causa do conceito finito que temos de Deus e do homem. Ficamos com freqüência desapontados quando alguém não corresponde ao quadro que formamos dele. E isto porque lhe atribuímos as boas qualidades de consciência; e quando a pessoa não preenche tais qualidades, que nós acreditamos erroneamente serem sua personalidade, sofremos.
Na Bíblia, nos deparamos com as figuras de Moisés, de Isaías, de Jesus e de Paulo. Percebemos que Moisés representa o estado de consciência chefe, ou liderança; Isaías nos apresenta a profecia; Jesus mostra a consciência messiânica, ou a Graça da salvação e da cura; e Paulo traz a consciência do mensageiro, do pregador ou mestre. Contudo, sempre se trata de um estado de consciência específica que se manifesta a nós como homem. George Washington representa certamente a consciência da integridade nacional; Abraham Lincoln, a consciência da integridade e da igualdade individuais.
Pensando em nós mesmos, esqueçamos nossa natureza humana com suas qualidades humanas e tentemos compreender o que nós representamos como consciência, para então perceber que esta consciência que se expressa como nós é também o que nos mantém e faz prosperar nosso empenho. O fracasso ocorre freqüentemente por causa da descrença de que nós somos a expressão de Deus, ou da Vida, ou da Inteligência ou das qualidades divinas. Isso nunca é verdade. Deus, ou a Consciência, expressa eternamente a Si mesmo e Suas qualidades.
A consciência, a vida, o Espírito, nunca pode falhar. Nossa tarefa é aprender a relaxar e deixar que nossa Alma se manifeste. O egoísmo é a tentativa de ser ou de fazer algo pelo esforço pessoal físico ou mental. O não nos preocupar é nos privar do pensamento consciente e deixar que as idéias divinas preencham nossa consciência. Uma vez que somos Consciência espiritual individual, podemos sempre confiar que a Consciência realize a Si mesma e à Sua missão.
Somos expectadores e testemunhas desta divina atividade da Vida que realiza e manifesta a Si mesma. Cada vez mais devemos nos tornar expectadores ou testemunhas. Temos de ser observadores da Vida e Sua harmonia. A cada manhã temos de acordar ansiosos para ver um novo dia que revele e desdobre, a cada hora, novas alegrias e vitórias. Diversas vezes por dia temos de perceber conscientemente que estamos testemunhando a revelação da Vida eterna, o desdobramento da Consciência e de Suas infinitas manifestações, da atividade do Espírito e de Suas grandiosas formas. Em cada situação do nosso dia-a-dia, aprendamos a ficar por trás de nós mesmos e ver Deus ao trabalho, testemunhar a ação do Amor nas nossas vicissitudes e esperar que Deus Se revele em tudo que nos rodeia.
Temos de perceber, toda noite, que o nosso descanso não nos leva a uma interrupção da atividade de Deus sobre nossa vida, mas que o Amor é a influência protetora e a substância do próprio descanso, que a Consciência nos transmite suas idéias mesmo durante o sono, que o Princípio é a lei que nos guia durante a noite toda. Nada de externo pode penetrar em nossa consciência para nos perturbar, e esta verdade fica de sentinela ao portal de nossa mente, para permitir o acesso só à realidade e suas harmonias. Sejamos observadores, testemunhas; vejamos o desvelar-se do Cristo na nossa consciência.
Há um estado de guerra permanente entre a carne e o Espírito, e isso continuará enquanto mantivermos o sentido de identificação corpórea, mesmo pequeno. A tentativa de trazer o Espírito e suas leis para atuar sobre as concepções materiais, é o que constitui esta guerra, e a paz só poderá ser alcançada quando o sentido material do universo e corporal do homem tiverem sido superados.
Observe com quanta freqüência tentamos aplicar alguma verdade metafísica a algum problema humano, e descobrirá os motivos do conflito dentro de você. Nosso verdadeiro intento é mais a obtenção da harmonia espiritual do que a continuidade do enfoque material da existência, com mais facilidades e conforto.
Nos momentos iniciais de nossa busca da Verdade, não tínhamos provavelmente outra preocupação que não curar um corpo doente, fazer um pobre mais próspero ou transformar um pecador em alguém ético. Não há dúvida de que, ao nos tornarmos um praticante ou mestre de consciência espiritual, parecíamos ter atingido esta finalidade, e por algum tempo continuamos a "usar" a Verdade, ou Deus, para direcionar nossa concepção material do homem e do mundo.
Foi só com a continuação de nossos estudos e da meditação que nos apercebemos do conflito interior. Nos regozijamos com momentos de grande elevação; nós caímos no vale da incerteza; conseguimos vitórias e amargamos fracassos; oscilamos entre as aparências de bem e de mal, sucesso e fracasso, espiritualidade e mortalidade, saúde e doença. Este é o conflito interior que se evidencia como uma guerra entre a carne e o Espírito. E isso só terminará quando abandonarmos o conceito de mortalidade e a identificação corporal para alcançarmos a consciência da existência espiritual.
"Meu reino não é deste mundo" representa o fundamento da construção de uma nova e mais alta consciência. A vontade e a capacidade de olharmos para além do sentido material de pessoa e coisa, e de perceber o homem e o universo da criação de Deus, são fatos essenciais. Ganhar mais dinheiro não é suprimento espiritual; poupar mais não significa segurança; saúde física não é necessariamente a base de vida eterna: tudo isso constitui meramente uma crença humana melhorada.
O estudioso avançado abandonará aos poucos sua tentativa de melhorar crenças ou aspectos humanos, para que a verdade da existência espiritual possa desabrochar em sua consciência. O reino espiritual é a fonte da saúde que é, na verdade, a eterna harmonia do ser; é uma consciência de suprimento sem limites, e que é obtido sem esforço. Lembre-se, contudo, de que não estamos associando novamente Deus, ou o Espírito, com o conceito humano de saúde e suprimento.
Estamos, antes, entrando numa concepção espiritual de saúde e suprimento. Até aqui, nossos esforços foram na direção de manifestar maior harmonia e domínio em nossos negócios terrenos. É verdade que esta consciência de ser celestial parece resultar num viver humano mais harmonioso, mas estas são "as coisas dadas de acréscimo", conseqüência da busca do céu e de sua justiça. E será visto como sendo muito diferente do conceito humano de bondade, e este conceito mais elevado é o que devemos estar buscando.
"Meus pensamentos não são os teus pensamentos e os meus caminhos não são os teus caminhos." Por esta razão não tentamos ter mais ou melhores pensamentos humanos, ou tornar nossos caminhos humanos mais planos. Na verdade estamos buscando aprender os pensamentos de Deus e o caminho de Deus.
Nesse estágio de desenvolvimento, sentimos a necessidade de nos desfazer das preocupações com nossa pessoa e com o nosso bem-estar. Aprendemos que os cuidados com nosso bem-estar são como construir sobre areia, enquanto uma vida voltada para a busca da Verdade é como uma base de sólida rocha sobre a qual podemos construir o templo eterno da vida. Encontramos felicidade e prosperidade permanentes quando temos um princípio ou uma causa a que podemos nos devotar. Assim encontramos menor escala da personalidade em nossa existência, e, por isso mesmo, deixamos espaço para a revelação e o desdobramento do nosso divino Eu.
Nesse Eu encontramos nossa completeza e a infinitude de nosso ser. Aqui também descobrimos a razão de nossa existência. Deus criou o mundo e tudo o que nele existe. O que nós observamos através dos sentidos não é o mundo, mas uma imagem finita e falsa do mundo que Deus criou. À medida que nos elevamos em termos de consciência, começamos a perceber o universo espiritual e um pouco de sua finalidade.
Aquele que encontrou seu Eu profundo, descobre que é um com todos os homens, animais e coisas. Ele sabe agora que aquilo que afeta um, afeta todos.
*NAMASTÊ*
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