Silvia Rêgo: Embaixadora Planetária, Terapeuta Holística, Astrônoma Técnica, Ufóloga, e Consultora Espiritual
Buddha
(O ILUMINADO ILUMINADOR)
Quando perguntavam ao Senhor Buddha como havia sido criado o Universo,
Ele respondia: — O átomo não pode compreender o Cosmos.
O Buddha instrui seus discípulos
“Livre sou, ó monges, de todos os grilhões, sejam divinos ou humanos. Vocês também, ó monges, são livres de todos os grilhões, sejam divinos ou humanos. Vão, ó monges, para o bem de muitos, para a felicidade de muitos, por compaixão pelo mundo, pelo bem, pelo benefício e pela felicidade de deuses e homens. Não deixem dois irem por um caminho. Ensinem, ó monges, o 'Dharma', excelente no início, excelente no meio, excelente no fim, tanto no significado quanto na palavra. Proclamem a Vida Santa, Perfeita e Pura.”
Siddhartha Gautama, o Buddha
Em sânscrito e pali, antigas línguas indianas, a palavra Buddha significa Illuminado ou Desperto. Em geral, esta palavra se refere a Siddhartha Gautama – em sânscrito, – também conhecido por Sâkyamuni ou Buddha (que vem do radical Budh e que significa Desperto ou Iluminado). Em chinês, o equivalente é Fo; em coreano, Bul; em japonês, Butsu; e em tibetano, Sangye.
O Budismo é uma religião/filosofia baseado nas escrituras e na tradição leiga e monástica iniciadas na Índia por Siddhartha Gautama, o Buddha histórico, que viveu aproximadamente entre 563 e 483 a.C. Da Índia, o Budismo se espalhou através da Ásia, Ásia Central, Tibete, Sri Lanka (antigo Ceilão) e Sudeste Asiático, como também para países do Leste Asiático, incluindo China, Myanmar, Coréia, Vietname e Japão. Hoje, o Budismo encontra-se em quase todos os países do mundo, amplamente divulgado pelas diferentes escolas budistas, e conta com cerca de 376 milhões de seguidores.
Na filosofia budista, Buddhas são todos aqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos e se puseram a divulgar tal (re)descoberta aos demais seres. A verdadeira-(relativa) natureza dos fenômenos, aqui, quer dizer o entendimento de que todos os fenômenos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais, ainda que prevaleça o fato de o Cósmico ser inconsciente de si (existência), de sua natureza (qualidades) e de sua funcionalidade (leis que o regulam).
O ser-no-mundo, ao se tornar consciente destas características da atualidade-realidade cósmica, poderá, presumidamente, viver de maneira relativamente plena e relativamente livre dos condicionamentos mentais que causam a insatisfação, o descontentamento e o sofrimento. Assim sendo, do ponto de vista da doutrina budista clássica, a palavra Buddha denota não apenas um mestre religioso que viveu em uma época em particular, mas toda uma categoria de seres iluminados que alcançaram (e que continuam a alcançar) tal realização espiritual.
O Budismo reconhece três tipos de Buddha, dentre os quais o termo Buddha é normalmente reservado para o primeiro tipo, o Samyaksam-Buddha (em pali, Samma-Sambuddha). A realização do Nirvana é exatamente a mesma, mas um Samyaksam-Buddha expressa mais qualidades e capacidades do que as outras duas. Atualmente, as referências ao Buddha referem-se, em geral, a Siddhartha Gautama, mestre religioso e fundador do Budismo, no século VI antes de Cristo.
Ele seria, portanto, o último Buddha de uma linhagem de antecessores, cuja história praticamente se perdeu no tempo. Conta a história, que Ele atingiu a Iluminação durante uma meditação sob a árvore Bodhi, quando mudou seu nome para Buddha, que, como já foi visto, quer dizer Iluminado ou Desperto. Ao se dar esta Iluminação, o Senhor Buddha compreendeu: Em miríades de nascimentos vaguei na existência cíclica, antes de descobrir o verdadeiro conhecimento. À procura do construtor desta casa, cada novo nascimento trazendo mais sofrimento. Agora conheço você, construtor desta casa! Você não mais me aprisionará.
Demoli o seu topo e destruí a sua estrutura até o chão. A consciência entrou naquele estado incondicionado, o final definitivo da sede do desejo... As coisas a serem entendidas foram entendidas, as coisas a serem cultivadas foram cultivadas, as coisas a serem erradicadas foram erradicadas – portanto, brâmane, eu sou o Buddha.
Ele é chamado Senhor Abençoado (sânscrito: Bhagavan; pali Bhagava) por ter derrotado os quatro demônios e por ter sido (e ser) contemplado com as maiores venturas.
Ele é chamado Aquele Que Foi Assim (sânscrito e pali: Tathagata) porque alcançou a compreensão da realidade das coisas ou porque tudo é exatamente como ele disse e não de outra forma.
Ele é chamado Vencedor do Inimigo (sânscrito: Arhat; pali: Arahant) porque derrotou o inimigo das aflições mentais ou porque é digno de ser homenageado por meio de oferendas e de veneração. Ele é chamado Plenamente Iluminado (sânscrito: Samyaksambuddha; pali: Sammasambuddha) porque compreendeu todas as coisas de forma verdadeira e infalível.
Ele é chamado Dotado de Conhecimento e de seu Fundamento (sânscrito: Vidyacaranasampanna; pali: Vijjacaranasampanna) porque possui Sabedoria acompanhada de seu fundamento, pois Ele possui moralidade e concentração mental, nas quais se baseia a Sabedoria.
Ele é chamado Bem-sucedido (sânscrito e pali: Sugata) porque alcançou o Estado Sublime, e, ainda, porque Dele não decairá.
Ele é chamado Conhecedor do Mundo (sânscrito e pali: Lokavidu) porque, ao compreender a natureza dos doze elos do surgimento interdependente, conhece, com exatidão, o mundo dos seres sencientes e, ao entender a origem da Terra, das montanhas e assim por diante – ao conhecer todas as regiões, suas dimensões e assim por diante – Ele conhece com exatidão o mundo físico externo.
Ele é chamado Líder Insuperável dos Disciplináveis (sânscrito: Anuttarapurusadamyasarathi; pali: Anuttaropurisadamasarathi) por estas razões.
Ele é chamado Mestre dos Deuses e dos Homens (sânscrito: Sastadevamanusyanam; pali: Sattadevamanussanam) porque o contingente principal de discípulos é composto por deuses e por homens, ambos recipientes adequados para o Caminho da Liberação, e porque o Buddha lhes ensina o Dharma de acordo com as aspirações deles.
Ele é chamado Desperto (sânscrito e pali: Buddha) porque acordou do sono da ignorância, e também porque sua mente se expandiu até o ponto em que abarca todos os objetos de conhecimento.
Conta-se que, logo após Sua Iluminação, o Senhor Buddha passou por um homem em um caminho que estava perplexo pelo extraordinário esplendor e pela calma de Sua Santa Presença.
O homem parou e perguntou:
— Meu amigo, quem é você? Você é um ser celestial ou um deus?
— Não; não sou um ser celestial nem um deus — disse o Senhor Buddha.
— Bem, então, será que você é algum tipo de mágico ou mago?
Novamente, o Buddha respondeu: — Não sou nem mágico nem mago.
— Você é um homem?
— Também não sou um homem.
— Bem, meu amigo, então, afinal, quem você é?
O Buddha respondeu: — Eu sou um Desperto.
Os relatos tradicionais sobre Sâkyamuni, o Buddha histórico, geralmente dividem sua vida em oito ou doze grandes atos. Estes atos teriam sido realizados não apenas por ele, mas por todos os seres Iluminados do passado.
Da mesma forma, diz-se que estes atos serão realizados por todos os seres Iluminados do futuro. São eles:
1º - existir no paraíso divino de Tusita, sua penúltima morada;
2º - descer de Tusita para o continente de Jambudvipa (pali Jambuvipa), em nosso mundo;
3º - durante um sonho, entrar no ventre de sua mãe como um elefante;
4º - nascer como um guerreiro ou um brâmane, dando sete passos em cada direção;
5º - ter proficiência nas artes mundanas como escrita, matemática e arco e flecha;
6º - engajar-se nos esportes, desfrutar de consortes, casar-se e viver em palácios;
7º - abandonar a vida de príncipe, deixar o lar e se auto-ordenar como um monge errante;
8º - praticar as austeridades do ascetismo;
9º - à noite, derrotar as hostes de Mâra1, o demônio da ignorância;
10º - pela manhã, atingir a Illuminação ou despertar;
11º - girar a roda do Dharma (em pali, Dhamma), isto é, dar ensinamentos;
12º - alcançar a liberação final.
Os três ensinamentos básicos do Budismo são: evitar o mal, fazer o bem e cultivar a própria mente. O objetivo-mor é o fim do ciclo de sofrimento, samsara, despertando no praticante o entendimento da realidade última – o Nirvana. A moral budista é baseada nos princípios de preservação da vida e moderação. O treino mental está focado na disciplina moral, na concentração meditativa e na sabedoria.
No Budismo, Nirvana – literalmente extinção – é o culminar da busca budista pela libertação. De acordo com a concepção budista, o Nirvana é, triplamente, a superação do apego aos sentidos, a derrota da ignorância e a ultrapassagem da existência física, que é pura ilusão.
Siddhartha descreveu o Budismo como uma jangada que, após atravessar um rio, permite ao passageiro alcançar o Nirvana. O Hinduísmo também usa a palavra Nirvana como um sinônimo para sua compreensão de moksha (libertação do ciclo do renascimento e da morte). Aparece, também, em vários textos hindus tântricos, bem como na Bhagavad Gita. Os conceitos hindus e budistas de Nirvana não devem ser considerados equivalentes.
Nirvana, no Budismo, é o ápice, o auge, ou seja, é o ponto mais alto de meditação, no qual o Eu Interno se liberta temporariamente do corpo físico, sem perda de consciência e sem, entretanto, abandoná-lo, o que só ocorre na morte ou transição.
Os Ensinamentos do Senhor Buddha
Os ensinamentos do Buddha se baseiam na ética, na moderação e no bom senso, através das Quatro Nobres Verdades e da Óctupla Senda, também conhecida como o Caminho do Meio.
As Quatro Nobres Verdades Budistas são:
1ª - A Nobre Verdade do Sofrimento (Dukha Satya)
Nascimento é sofrimento; doença é sofrimento; morte é sofrimento. Tristeza, lamentação, dor, pesar e desespero são sofrimentos. Não ter o que se deseja é sofrimento; separação do que se deseja é sofrimento; união com o que não se deseja é sofrimento. Saudade é sofrimento; ser escravo de um passado já morto e de um futuro inexistente é sofrimento.
Ser presa fácil de estímulos exteriores de toda ordem é sofrimento. Quando sopram os ventos da sensibilidade, nós vamos cegamente à sensualidade; quando sopram os ventos da raiva nós vamos cegamente à violência; quando sopram os ventos da agitação e da preocupação nós vamos cegamente em direção à ansiedade e à angústia; quando sopram os ventos da dúvida nós vamos cegamente ao ceticismo.
Todo sofrimento – assim como toda a nossa felicidade – está na própria mente, pois nenhum inimigo nos poderá fazer tão infelizes quanto nossa mente mal dirigida. Também nenhum parente – seja pai, seja mãe, seja irmão – nos tornará tão felizes quanto nossa própria mente bem dirigida.
Em resumo: os cinco agregados da existência quando objetos de apego, isto é, quando tomados como 'eu' e 'meu' são sofrimentos. Os cinco agregados da existência são: corpo, sensações, percepções, consciência e formações mentais.
2ª - A Nobre Verdade da Causa do Sofrimento (Mamudaya Satya)
Qual é a causa do sofrimento? É a ignorância, o desejo, o apego, a cobiça, o ódio e a ilusão. Mas, onde o desejo e a ignorância surgem? Onde estão suas raízes? Exatamente onde houver coisas deliciosas e agradáveis, lá o desejo e ignorância surgem, lá eles têm as suas raízes. Visão, audição, olfato, paladar, tato e a mente são deliciosos e agradáveis; lá o desejo e a ignorância surgem, lá eles fincam raízes.
Quando percebemos um objeto pela visão, se o objeto é agradável, a pessoa é atraída; e se é desagradável, a pessoa o repele. Então, seja qual for a sensação que experimente, se a pessoa o aprova e acha agradável; então, a sensação condiciona o desejo, e desejando a pessoa se apega ao objeto desejado. Assim, o desejo condiciona o apego.
Quando a pessoa se apega, ela irá agir pela palavra ou pelo o corpo para possuir o objeto desejado. Deste modo, então, o apego condiciona a ação (Karma) ou processo de vir-a-ser. O processo de vir-a-ser (ou existência) condiciona o nascimento.
Dependendo do nascimento, haverá decadência e morte, tristeza e lamentação, dor e pesar, ressentimento e desespero. Assim surge essa imensa massa de sofrimento.
3ª - A Nobre Verdade da Extinção da Causa do Sofrimento (Mirodha Satya)
O que é a extinção do sofrimento? É a completa erradicação e desaparecimento da ignorância, do desejo, do apego, da cobiça, do ódio e da ilusão, e, em conseqüência, o abandono e a libertação da ilusão do eu e do meu. Com a extinção da ignorância o desejo é extinguido. Pela cessação do desejo, cessa o apego. Pela cessação do apego o processo de vir a ser ou as ações (Karma) é extinguido. Pela cessação de vir-a-ser, o nascimento é extinguido. Pela cessação do nascimento, decadência e morte, tristeza e lamentação, dor e pesar, ressentimento e desespero serão extinguidos. Assim, se dá a extinção de toda esta massa se sofrimento.
4ª - Nobre Verdade da Senda que Leva à Extinção do Sofrimento (Magga Satya)
Os dois extremos e a Senda do meio. Os prazeres sensuais, o comum, o vulgar, o mundano, sem qualquer sentido para o progresso na Senda espiritual. Ou: a mortificação do corpo que é dolorosa e também sem vantagem qualquer para a vida santa. Ambos estes extremos, o iluminado evitou e descobriu a Senda Média, a qual propícia qualquer um ver e compreender, que leva à paz, ao discernimento, à iluminação e ao Nirvana.
A Senda Óctupla (Senda do Meio):
1) Linguagem Correta;
2) Ação Correta;
3) Modo de Vida Correto;
4) Esforço Correto;
5) Atenção Plena e Correta;
6) Concentração Correta;
7) Compreensão Correta;
8) Pensamento Correto.
E o que é a Linguagem Correta? Abster-se da linguagem mentirosa, da linguagem maliciosa, da linguagem grosseira e da linguagem frívola. A isto se chama linguagem correta. E o que é a Ação Correta? Abster-se de destruir a vida, abster-se de tomar aquilo que não for dado, abster-se da conduta sexual imprópria. A isto se chama de ação correta.
E o que é o Modo de Vida Correto? Aqui um nobre discípulo, tendo abandonado o modo de vida incorreto, obtém o seu sustento através do modo de vida correto. A isto se chama modo de vida correto.
E o que é o Esforço Correto? (i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu gera desejo para que não surjam estados ruins e prejudiciais que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. (ii) Ele gera desejo em abandonar estados ruins e prejudiciais que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. (iii) Ele gera desejo para que surjam estados benéficos que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. (iv) Ele gera desejo para a continuidade, o não-desaparecimento, o fortalecimento, o incremento e a realização através do desenvolvimento de estados benéficos que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. A isto se denomina esforço correto.
E o que é a Atenção Plena e Correta? (i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu permanece focado no corpo como um corpo ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o prazer pelo mundo. (ii) Ele permanece focado nas sensações como sensações ardentes, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o prazer pelo mundo. (iii) Ele permanece focado na mente como mente ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o prazer pelo mundo. (iv) Ele permanece focado nos objetos mentais como objetos mentais ardentes, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o prazer pelo mundo. A isto se denomina atenção plena e correta.
E o que é a Concentração Correta? (i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades não-hábeis, entra e permanece no primeiro jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e a felicidade nascidos do afastamento. (ii) Abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra epermanece no segundo jhana, que é caracterizado pela segurança interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos da concentração. (iii) Abandonando o êxtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que é caracterizado pela felicidade sem o êxtase, acompanhada pela atenção plena, plena consciência e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: ‘Ele permanece em uma estada feliz, equânime e plenamente atento.' (iv) Com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que não possui nem felicidade nem sofrimento, com a atenção plena e a equanimidade purificadas. A isto se denomina concentração correta.
E o que é a Compreensão Correta? Compreensão do sofrimento, compreensão da origem do sofrimento, compreensão da cessação do sofrimento, compreensão do caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento. A isto se chama entendimento correto.
E o que é o Pensamento Correto? O pensamento de renúncia, o pensamento de não má vontade, o pensamento de não crueldade. A isto se chama pensamento correto. [O homem comum é, geralmente, desprovido de correta compreensão. Não sendo treinado na Nobre Doutrina, seu Coração é possuído e dominado pela ilusão da existência de um eu individual, pela dúvida, pelo apego a meras regras religiosas e a rituais, pelo desejo sensual insaciável e pela raiva. E assim, pratica, basicamente, três tipos de ações demeritórias:
1) Pelo corpo: destrói os seres vivos, rouba, explora, adultera, ingere tóxicos e bebidas alcoólicas;
2) Pela palavra: mente, calunia, age como leva-e-traz, profere palavras pesadas, duras e ofensivas, tagarela levianamente e suas conversas são frívolas;
3) Pela mente: é cobiçoso, egoísta, vaidoso, tem má vontade, ódio e raiva e possui, usualmente, errôneos pontos de vista. Tudo isto pode ser resumido em um quadrado monstruoso e retrocessivo: cobiça, ódio, ignorância e egoísmo.]
Cinco regras fundamentais:
1ª) ninguém deve matar uma criatura;
2ª) ninguém deve se apoderar daquilo que não lhe é dado;
3ª) ninguém deve mentir;
4ª) ninguém deve se embriagar;
5ª) cada qual que pratique a castidade. A criação é eterna; logo, não é necessário aceitar um criador.
Queridos amigos: tendo por testemunhas seres humanos, deuses, brâmanes, monges e maras, eu vos digo que se não tivesse experienciado diretamente tudo o que afirmo aqui, jamais proclamaria ser uma pessoa iluminada e liberta do sofrimento. Devido ao fato de eu mesmo ter identificado o sofrimento, compreendido o sofrimento, identificado as causas do sofrimento, removido as causas do sofrimento, confirmado a existência do bem-estar, obtido o bem-estar, identificado o caminho para o bem-estar, ido até o final do bem-estar e realizado a liberação total, eu agora proclamo a vocês que eu sou uma pessoa livre.
Livre sou, ó monges, de todos os grilhões, sejam divinos ou humanos. Vocês também, ó monges, são livres de todos os grilhões, sejam divinos ou humanos. Vão, ó monges, para o bem de muitos, para a felicidade de muitos, por compaixão pelo mundo, pelo bem, pelo benefício e pela felicidade de deuses e homens. Não deixem dois irem por um caminho. Ensinem, ó monges, o 'Dharma', excelente no início, excelente no meio, excelente no fim, tanto no significado quanto na palavra. Proclamem a Vida Santa, Perfeita e Pura. [e Una].
Quando perguntavam ao Senhor Buddha como havia sido criado o Universo, Ele respondia: — O átomo não pode compreender o Cosmos.
De que material se compõe o Universo? O Universo é eterno? Existem limites para o Universo? De que maneira se agrega a sociedade humana? Qual a organização ideal da sociedade humana? Se um homem postergar sua busca e prática da Iluminação até que tais questões sejam solucionadas, ele morrerá antes de encontrar o Caminho.
A mente de um homem pode fazê-lo um Buddha ou uma fera. Corrompido pelo erro, torna-se um demônio; iluminado, torna-se um Buddha. Controlai, portanto, vossa própria mente; e não a deixeis se afastar do Caminho correto.Buddha não é um corpo físico; é a Iluminação. O corpo físico perece, mas a Iluminação subsistirá para sempre na verdade do Dharma2 e na prática do Dharma.
Feliz seria a Terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos que nascem para todos dariam para alimentar e dar fartura ao mundo. [O ápice da compreensão dos ensinamentos budistas é a realização interior e consciente de que tudo é Um – não há o Outro. O Outro é uma ilusão derivada do culto quimérico da individualidade.]
Eu sou o resultado de meus próprios atos, herdeiro de meus próprios atos. Os atos são meu parentesco e recaem sobre mim; qualquer ato que eu realize, bom ou mau, eu dele herdarei. Eis em que deve refletir todo homem e toda mulher. [Somos responsáveis por tudo; não há transferência possível.]
O ódio não desaparecerá enquanto pensamentos de mágoas forem alimentados na mente. Ele desaparecerá, sim, tão logo esses pensamentos de mágoa forem esquecidos. [Não sei se o Senhor Buddha disse literalmente esquecidos; mas, eu prefiro compreendidos.]
Tudo o que nasceu irá morrer; tudo o que foi reunido será espalhado; tudo o que foi acumulado terá fim; tudo o que foi construído será derrubado; e tudo o que esteve nas alturas será rebaixado. [Para compreender é necessário descompreender.]
Se o telhado for mal construído ou estiver em mau estado, a chuva irá entrar na casa. Da mesma forma, a cobiça facilmente entra na mente, se ela é mal treinada ou está fora de controle.
Nossa existência é transitória como as nuvens do outono. Observar o nascimento e a morte dos seres é como olhar os momentos da dança. A duração da vida é como o brilho de um relâmpago, no céu, tal como uma torrente que se precipita montanha abaixo. [Bem disse o Mestre Apis, Hierofante da Ordo Svmmvm Bonvm: A Vida é eterna. As criaturas são transitórias.]
Se o desejo, que se aloja na raiz de toda a paixão humana, puder ser removido, aí, então, morrerá esta paixão e desaparecerá, conseqüentemente, todo o sofrimento humano.
Praticar o bem, abster-se do mal e purificar os pensamentos são os mandamentos de todo Iluminado.
Uma mente perturbada está sempre ativa, saltitando daqui para lá, sendo difícil de controlar; mas a mente disciplinada é tranquila. Portanto, é bom ter sempre a mente sob controle. [Sim. Só controlando a mente será possível evitar ou minimizar possíveis erros de avaliação.
Decididamente, não devemos e não podemos dar vazão aos nossos instintos não satisfeitos, pois, todos são inocentes perante a lei, até que se prove o contrário. Por outro lado, também não devemos e não podemos nos esquecer jamais de que aos acusadores cabe o ônus da prova. Agora, o óbvio: se haveremos de compensar todos os nossos equívocos, haveremos de compensar também, oportunamente, todos os prejulgamentos que fizermos.]
Aquele que protege sua mente da cobiça e da ira desfruta da verdadeira e duradoura paz.
O leite fresco demora a coalhar. Assim, os maus atos nem sempre trazem resultados imediatos. Esses atos são como brasas ocultas nas cinzas e que, latentes, continuam a arder até causar grandes labaredas.
Um amigo insincero e mau é mais temível que um animal selvagem; a fera pode ferir o corpo, mas o mau amigo pode ferir a mente.O homem que busca a fama, a riqueza e casos amorosos é como uma criança que lambe o mel na lâmina de uma faca... É como um tolo que carrega uma tocha contra um vento forte correndo o risco de ter as mãos e o rosto queimados.
Viver apenas um dia e ouvir um bom ensinamento é melhor do que viver um século sem conhecer tal ensinamento.
Um homem será tolo se alimentar desejos pelos privilégios, pela promoção, pelos lucros ou pela honra, pois tais desejos nunca trazem felicidade; pelo contrário, apenas trazem sofrimentos.
Um bom amigo, que nos aponta os erros e as imperfeições e reprova o mal, deve ser respeitado como se nos tivesse revelado o segredo de um oculto tesouro.
As Escrituras Védicas foram escritas por homens. Por isto, também contêm falhas.
Um rochedo não é abalado pelo vento; a mente de um sábio não é perturbada pela honra ou pelo abuso.
Dominar-se a si próprio é uma vitória maior do que vencer a milhares em uma batalha.
Aqueles que se respeitam e se amam a si mesmos devem estar sempre alertas para que não sejam vencidos pelos maus desejos. [Não esqueçamos de que, tanto o omisso quanto o comisso, cometem um delito. Não existem essas coisas de que não é problema meu e de que eu não tenho nada com isso. Somos todos UM. Tudo é problema de todos e todos têm tudo com tudo.]
Não viva no passado, não sonhe com o futuro; concentre a mente no momento presente.
Meditação traz sabedoria; a falta de meditação deixa a ignorância. Saiba bem o que lhe conduz para frente e o que lhe prende atrás, e escolha o caminho que o guiará à sabedoria.
Tudo o que nasceu está sujeito à morte. Portanto, dediquem-se com energia ao trabalho de emancipação final.
Tudo que é composto se decompõe.
Antes de dar, o Coração se alegra; durante o ato de dar, ele se purifica; e,depois de dar, ele se sente satisfeito.
Somos aquilo que pensamos ser.
Aquele que inveja os outros não tem paz.
Todas as coisas são precedidas, guiadas e criadas pela mente. Tudo o que somos hoje é o resultado do que temos pensado. O que hoje pensamos determina o que seremos amanhã. Nossa vida é a criação de nossa mente.
Um homem no campo de batalha conquista um exército de mil homens... Um outro conquista a si mesmo, e este é o maior.
Veja aquele rio. Sua correnteza corre em ritmo normal. Ela nunca se adianta nem se atrasa. Ela apenas corre. Nós temos que ser como aquele rio.
Ao decidir sair em peregrinação em busca da Iluminação o Senhor Buddha disse: Enquanto as pessoas não são afetadas pela doença, pela velhice ou pela morte, elas não pensam sobre essas coisas. Eu preciso, agora, encontrar o Caminho para acabar com a fonte desse sofrimento. Todos aqueles que nascem nesse mundo devem experimentar o pesar da separação. Estou deixando minha casa para descobrir a Senda pela qual o ser humano pode escapar desse sofrimento. Ao se aproximar o momento de Sua Grande Iniciação, suas últimas palavras foram: Ó, monges! Estas são minhas últimas palavras.
Tudo o que foi criado está sujeito à decadência e à morte. Tudo é impermanente. Trabalhem duro pela própria salvação com atenção plena, esforço e disciplina. Sejam ilhas em si mesmos, sejam um refúgio para si mesmos; não tomem para si mesmos nenhum outro refúgio. Vejam a verdade como uma ilha, vejam a verdade como um refúgio. Não procurem refúgio em ninguém a não ser em si próprios. [Se o Senhor Buddha não disse, talvez tenha pensado: Não procurem refúgio nem em Deus. Logo, possivelmente, a maior prisão que o ser-no-mundo enfrenta é a imposição-aceitação de um Deus egregórico, coletivo. Ao nascer, lhe é imposto um Deus; depois, por não conseguir se livrar desta ideia cultural imposta, morre com ela. Todavia, se vencer gaiola e muro... A Claridade-Vida substituirá o escuro!]
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